SE eu TIVESSE ASAS

Estou certo de que estou errado sobre muitas coisas, embora não esteja certo exatamente sobre quais coisas estou errado.

31

de
dezembro

Reconstruir

A primeira coisa que me vêm à mente quando chove muito é em Noé e em sua arca. Quarenta dias, dia e noite, de chuva intensa, capaz de destruir gente, animais, vegetação, e mais o que pudesse existir.

 

Estou escrevendo isso porque Itaperuna e região acabam de passar por uma das maiores inundações de sua história. Veio água em lugares que ninguém imaginaria, varrendo principalmente aquelas pessoas que achavam que não ia ter inundação. Acreditar no improvável é a principal lição que Noé ensina, e todo mundo fala sobre isso, e ele está em Hebreus 11 por causa disso.

 

Mas sei lá. Depois que a água abaixou, e eu pude voltar ao centro de Itaperuna, Noé veio em minha mente de uma forma diferente. Talvez seja pior sobreviver a uma catástrofe e ter que começar do zero a morrer nela. Do que adiantou Noé ter tido fé? Tudo isso me parece irrelevante no momento em que Noé solta o pombo, ele volta trazendo o matinho, e Noé abre a arca. Noé nem deve ter se lembrado de sua fé quando ele saiu naquela lama fedorenta. Vendo os estragos que a água fez na vegetação, as árvores arrancadas até na raiz. Olhar a devastação, o tipo de vida que viveria numa terra onde a única coisa em abundância era a lama.

 

Noé concordaria com Saramago se tivesse lido Ensaio sobre a cegueira. Numa terra de cegos, a pressão por enxergar é insuportável. A responsabilidade por estar vivo e dar início a uma nova civilização e de não errar como Adão e Eva deve ter tornado a convivência de Noé e sua família algo como uma verdadeira loucura.

 

Reconstruir sempre é mais difícil. Noé sofreu isso na pele, tendo que recomeçar novamente um mundo que havia voltado para o caos que era antes da criação. Penso que é esse o sentimento que Deus quer que a gente tenha para com o mundo e para com o ano que começa daqui a pouco. Que depende que a gente comece a limpar as coisas pra elas encontrem o seu verdadeiro lugar.

 

 

*****

 

 

Turnê mundial do fim do mundo desembarca na faixa de Gaza. Israel promete roubar a festa do resto do planeta na virada do ano.

 

 

*****

 

 

Então, estou reformando o blog. O Terra veio com uma proposta pra eu fazer um update aqui no blog. A explicação é simples: como eu fui o único a ficar por aqui, ficaram com medo de eu ir pro blogspot também.

 

Enfim: desculpem a obra. Estamos em reforma!

 

 

*****

 

 

Ganha uma estrelinha na testa quem conseguir responder uma dúvida que apareceu na minha cabeça: quanto tempo será que demora 20 dias?

 

 

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Em 2009, os nossos sonhos serão verdade.

 

 

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10

de
dezembro

Apenas mais uma de amor

Não devia ter atendido o telefone. Foi o que pensou assim que desligou o telefone. Queria que ele não tivesse ligado, mas sabia que ele iria ligar. Na verdade, estava morrendo de vontade que ele ligasse. Mas sabia que não deveria atender; por isso deixou o telefone no silencioso. Ia dormir, mas queria ver se ele ia ligar. Então resolveu ler. Lia olhando para o visor do celular. Lia, sem prestar atenção no que estava lendo. Um capítulo, e eu paro.

 

Faltando duas páginas, ele ligou. Na primeira vez, não atendeu. Na segunda também não. Não estava esperando que ele ligasse uma terceira vez. Foi tão surpreentende que atendeu. ‘Estava dormindo?’ ‘Não, estava lendo. Não atendi porque o telefone estava no silencioso e só agora que fui prestar atenção no barulho.’ ‘Não queria te atrapalhar.’ ‘Não, pode falar.’ ‘Por que você estava daquele jeito essa noite?’

 

Não esteve de jeito nenhum durante a noite. A noite teria transcorrido sem nada incomum, salvo se um inseto minúsculo não tivesse aparecido na mesa deles. Sabia que ele ia puxar esse tipo de assunto. Estava pressentindo. Sabia que não deveria ter atendido o telefone. Sabia que iriam se desentender. Mas resolveu entrar no jogo. Foi dando corda, inventando coisas a partir de situações da noite e tentando transferir a responsabilidade para ele por ter se comportando ‘daquela’ maneira. Ele não entendeu, e continuou sustendando sua opinião. E na medida que iam jogando, a coisa foi ficando insustentável, até chegar ao ponto de dizerem coisas que não deveriam ter dito. ‘Falando sério: eu não fiquei triste por nada essa noite, mas isso que você disse agora me chateou’, disse a ele. ‘Estou chateado desde a hora que você começou a explicar o porquê de estar assim’, retrucou ele. Disseram outras bobagens e ficaram de se falar no dia seguinte. ‘Vou esperar a gente se falar’, disse a ele. ‘Sou eu sempre quem te procura’, respondeu. ‘Mas eu te ligo e você nunca me atende’, tentou argumentar. E foi assim, depois de 25 minutos, que conseguiram desligar. Colocou o telefone do lado da cama e ficou se perguntando na razão de ter deixado aquilo acontecer. Ficou pensando se não estava construindo, assim como Bentinho, sua vida numa ilha de dúvidas e ilusões. ‘Minha vida não é uma estória de Machado de Assis’, riu de si. Dormiu, pensando no que ele estava pensando. Realmente, não devia ter atendido o telefone.

 

*****

 

Um é pouco, dois é bom, e três é o que há. Estou muito feliz pelo Hítalo ter voltado à blogosfera, depois de uma tentativa mais ou menos e outra muito bem sucedida. Espero que ele não enjoe da gente de novo, e que dessa vez seja pra ficar, até por que, "’mantimento’ é algo produtivo".

 

*****

 

Há que diga que o Papai Noel está devolvendo as cartinhas dos torcedores do São Paulo.

 

“Essa gente quer ganhar tudo, né não?” – comentou com os cervos que puxam seu trenó.

 

*****

 

Mesmo que a bola não entre e os refletores se apaguem, mesmo que São Januário se cale e a Cruz de Malta se desbote… eu continuo sendo Vasco da Gama de coração.

 

Enquanto houver um sorriso de criança haverá esperança e um coração vascaíno batendo forte. Enquantou houver um coração infantil, o Vasco será imortal.

 

O SENTIMENTO NÃO PODE PARAR!!!

 

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3

de
dezembro

Viver além

Mais um ser pibiano aderiu à blogosfera. Bruno cabeça está trazendo à rede todos os pensamentos que passeiam em sua protuberância encefálica. O título do blog é Além do que os olhos podem ver (http://alemdover.blogspot.com). Que o Cabeça seja feliz nesta empreitada.

 

O título do blog do Cabeça faz referência à música Além do que os olhos podem ver, da banda Oficina G3. No refrão, a música diz: Voar além/Além do que os meus olhos hoje podem ver/Na certeza de poder chegar junto à Você. Essa idéia do vôo da alma após a morte é totalmente grega. Os judeus não pensam muito assim. Pois bem, isso está muito relacionado com minha trajetória, principalmente neste blog, principalmente depois de ter lido o Salmo 55, que o Davi escreveu com o Gu.

 

Tem um tempo que eu me encontro na contramão. A maioria das pessoas estão caminhando em um sentido, porém tenho caminhado em outro. Não sei se voluntariamente ou não. E isso não tem muito a ver com aquela conversa crente de caminho largo x caminho estreito. Tem a ver com meu relacionamento com Deus, com meu relacionamento comigo e com as pessoas. E estar na contramão é muito perigoso. Você corre riscos, mas é bacana. Seguindo o conselho do Badidio, não me acostumei até hoje, e assim eu caminho. O problema é que esta coisa da contramão está tão no automático que algumas vezes eu entro na contramão de Deus, e acabo colocando outros em risco. Até hoje, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Que continue assim.

 

Pensar quando está na contramão é complicado. Quando penso na parábola do Bom Samaritano, eu não faço alusão em ser o Bom Samaritano ou um dos religiosos que passam direto. Eu sou mais parecido com o judeu quase morto, que precisa de ajuda para permanecer vivo.

 

Talvez, por isso, eu me sinta tão diferente. Enquanto o Cabeça fica arrumando um jeito de voar além, eu fico pensando um jeito de viver aqui neste mundo. Até porque, é impossível voar além quando não se tem asas.

 

*****

 

Faltam 22 dias para o Natal de 2008!
Vamos lá, anime-se: novembro acabou.

 

E nós sobrevivemos!

 

*****

 

A turnê do fim do mundo promete abandonar a rota Blumenau-Bumbai-Bangcoc nesta segunda-feira.

 

Se Deus quiser!

 

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29

de
novembro

Ensaio sobre a visão

Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego. Esta expressão costura o enredo de Ensaio sobre a cegueira, a obra onde José Saramago sugere que num mundo onde todos estão cegos, a visão passa perto de ser uma maldição. Quem enxerga se torna responsável. E o peso da responsabilidade aos poucos vai se tornando insuportável. Só não é mais insuportável que o peso da própria cegueira.

 

A Bíblia Sagrada fala da experiência espiritual cristã como “passagem das trevas para a luz” e anuncia a irrupção do reino de Deus na pessoa de Jesus dizendo que “o povo que estava em trevas viu uma grande luz”, e por esta razão aqueles que seguem a Jesus “não andam em trevas”. Quem nasceu de novo, isto é, recebeu o toque do Espírito Santo e acolheu o reino/reinado de Deus em sua vida foi iluminado e passou a ver: “eu era cego, agora vejo”.

 

Jesus diz que seus discípulos também são a luz do mundo, mas os adverte dizendo que “o olho é a lâmpada do corpo. Portanto, se você tiver um olho bom, todo o seu corpo será repleto de luz; mas se tiver um olho mau, todo o seu corpo estará repleto de escuridão. Caso a luz que está em você seja escuridão, quão terrível será essa escuridão”.

 

No judaísmo, “ter um olho bom”, um “ayin tovah”, significa “ser generoso”, e ter “um olho mau”, um “ayin ra’ah”, significa “ser mesquinho”. A cegueira é comparada ao egoísmo; a visão, à solidariedade, à compaixão e também à auto-doação voluntária e ao serviço abnegado. Ser cego é ser auto-centrado e indiferente. Enxergar é morrer para si mesmo e assumir com Cristo o peso da cruz, sofrendo com Ele as dores do mundo, o que necessariamente implica e resulta viver para Ele e para os que são dEle. Enxergar é servir. Andar na luz é praticar as boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas e sem as quais a fé é morta.

 

Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente, é cego que pensa que vê, é cego de sua própria cegueira, é o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver, recebe a missão de servir.

 

 

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© 2008 Ed René Kivitz, via Ibab.

 

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Se eu disser que ainda acredito que o Vasco não será rebaixado, vocês acreditam?

 

Agora fiquei na dúvida: é pra acreditar em mim ou no Vasco?

 

*****

 

Aliás, não aguento (já sem o trema) ficar ouvindo esses comentaristas esportivos falando que o Vasco está colhendo o que plantou e que deveríamos copiar o segredo do São Paulo, que não é tão secreto assim. O segredo do time do São Paulo é que sempre mantém a base. Só troca o esmalte.

 

*****

 

Fiquei com preguiça de escrever pra última edição do Design; mesmo assim o Eduardo pediu pra eu escrever pra edição de fim de ano.

 

Isso quer dizer o seguinte: não se assuste se aparecer pra você um texto com um gorro de Papai Noel.

 

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23

de
novembro

Tempo de mudanças

Queria ser capaz de escrever um texto sobre mudanças, onde o autor faz aquelas analogias bacanas sobre o passado, o presente e o futuro, como aquelas que referem a locomotiva de um trem, ou sobre uma fumaça que passa, ou uma chuva que cai, ou algo assim, e associar isso tudo a nossa vida de mudanças. Mas não sou tão bom assim, como o Pércio, ou o autor bíblico, ou o Verissimo. Na verdade eu não sou nada bom. Mas vou continuar.

 

Eu já escrevi umas duzentas vezes sobre as pessoas serem aquilo que são, mas aquilo que os outros querem que elas sejam. Ou ser alguém que ela não é só pra ser aceito por um determinado grupo. Queria muito não ter escrito isso de novo, me perdoem.

 

Isso deveria ser natural. Acontece com tudo mundo. Mas pra mim não é. Todo mundo está mudando, ou quer mudar, ou pensa em mudar. A verdade é que ninguém sabe o quer ser, apenas quer ser aprovado por alguém. Curiosamente, existe uma grande loucura aqui, pois ao mesmo tempo em que as pessoas querem mudar para serem aceitas, elas querem que as outras também mudem. E aí vira uma grande palhaçada onde todos fingem ser o que não são, invocam um ser místico que conhecem de nome, inventam um nome legal pra se identificar e arrumam um jeito de burlar aquilo que elas acreditam.

 

A tônica do cristianismo é a mudança, e a humanidade inconscientemente deposita sua esperança nos cristãos e/ou no cristianismo. A tônica da campanha e da plataforma de Barack Obama foi a mudança, e a humanidade está depositando sua confiança toda nele. Todos corremos um grande risco de nos decepcionar com o cristianismo, ou com os cristãos, ou com Cristo, ou com o Barack Obama. Talvez a solução para isso fosse se mudarmos: sermos as pessoas que somos e a aceitar o outros como eles são.

 

*****

 

São 4h03min de domingo, e eu estou na casa do Henrique. Queria agradecer a ele por estar acordado comigo, apesar dele estar assistindo um programa sobre óvnis no History Channel com o pijaminha verde-água ridículo dele. Quero agradecer a Faby por ter gerido o embrião do texto e a Débora rabugenta por ter me animado a escrever na madruga.

 

*****

 

Não era o que eu esperava postar sobre o Barack Obama, mas está valendo. Ele não é o messias e não vai mudar o mundo. Foi bom também porque eu aproveitei para aglutinar alguns assuntos que estavam no fundo de algum lugar dentro de mim.

 

*****

 

Eu poderia ter trabalhado melhor a idéia do texto. Mas estou com preguiça, um pouco de sono e também um pouco enjoado por estar de frente pro Henrique com o pijaminha verde-água dele. E também, pela minha falta de capacidade para escrever. Eu queria mudar isso em mim…

 

*****

 

So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody’s changing and I don’t feel the same

 

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12

de
novembro

Quem se importa?

O Eduardo me pediu um texto sobre o Jovem PiBi pro Design. Por uma questão de ordem, vou escrever aqui a minha real percepção sobre o congresso. Pro Design, vai um texto bonitinho e bem comportado. Um final de semana em algumas linhas. Acho que sou capaz disso.

 

Quando pensei em Cidadãos do Reino para ser o tema do congresso, a primeira coisa que tive em mente foi o fator identidade. Tipo, a gente vive nesse mundo, e tudo, e tal, mas não somos daqui. Estamos numa viagem de volta ao nosso lar. O nosso padrão de comportamento é dado e avaliado pelo Rei. Jesus, orando pela gente, pediu para que Deus não nos tirasse daqui, mas que nos livrasse do mal, pois do mesmo jeito que ele não era do mundo, não somos. Um matemático/teólogo francês disse que não somos seres humanos tendo experiências espirituais, mas seres espirituais tendo experiências humanas. Não quero entrar no mérito da frase, até porque não concordo muito com ela. O que eu to querendo dizer aqui é que a parada é mais complexa do que as pessoas dizem. Um cidadão do reino serve aos propósitos de Deus em sua geração. Não busca servir a interesses pessoais, pois seus interesses são os interesses do reino. Um cidadão do reino busca a expansão do reino. Um cidadão do reino é caracterizado por sua santidade. Ele é ‘amigo de raiz’ do Rei; sabe que a tendência das coisas é piorar. Mas tudo bem, elas vão passar.

 

O Reino de Deus é um reino de amigos. Amigos que tem uma característica comum: se importar antes de tudo com o Reino.

 

*****

 

Acho que vai esse mesmo pro Design. Talvez. Falta de inspiração é dose. Queria mesmo era falar sobre Barack Obama.

 

*****

 

Aí eu fico me perguntando a razão de eu querer escrever sobre o Barack Obama. Sei lá. A obamamania que ataca o planeta não poupa ninguém. O próprio Michael Jackson está com vontade de ser negro de novo!

 

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4

de
novembro

Vôo Livre

A gente tem uma mania boba de associar coisas que não tem relação entre si. Falar que o Brasil é um celeiro de craques do futebol é uma delas. Levando em consideração que celeiro é um lugar onde se guarda coisas, é que não há muitos craques no Campeonato Brasileiro, acho que você entendeu o que eu estou querendo dizer. O Brasil é um grande exportador de craques, não um celeiro. Os EUA têm o maior número de praticantes de futebol (ou de soccer, como eles gostam de chamar) do planeta, mas o Brasil continua sendo o país do futebol. Todo mundo me chama de pastor, mas convivendo com o Rick, verão que estou completamente longe disso. E por aí vai.

 

Não deve ter relação nenhuma, mas para todos que me perguntam a razão de minha ausência nos últimos fim de semana, eu ponho a culpa em outubro. Não que outubro tenha alguma culpa, mas eu gosto de pensar assim. Foi depois que outubro chegou que eu tenho pegado estrada e passado os fins de semana longe dos meus amigos e colegas. Pra falar a verdade, nem me lembro de como é um fim de semana aqui. Em menos de um mês, visitei alguns lugares lindos, outros toscos. Laje do Muriaé, Cruzeiro, São José de Ubá, São João do Manhuaçu, Realeza, Caratinga, São Paulo, Cabo Frio, Arraial, Rio Bonito; isso sem contar as paradas em Rosal, Itatiaia, Campos, Italva… Vários quilômetros percorridos, vários rostos desconhecidos, várias situações. E pra melhorar (ou piorar, depende da vista do ponto), novembro chegou, e além do cheiro de fim de ano e dos Papai Noéis, trouxe junto viagens e viagens, que se alastrarão até o dia 7 de dezembro.

 

Há quem diga que o grande problema de se entrar no mundo das drogas é que é uma viagem sem volta. Talvez o grande problema das drogas e das viagens seja o mesmo: não é exatamente a ida, mas justamente quando se volta à rotina.

 

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E o Vascão, calando a boca dos críticos? Vamos silenciar esse pessoal conquistando a vaga pra Sulamericana.

 

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Eu falei, eu falei; depois não adianta ficar me chamando de falso nem de chato: Obama neles! http://paradigma.blog.terra.com.br/2008/02/15

 

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Nesse fim de semana tem Jovem Pibi sexta edição. Já sabem a razão por eu não viajar nesse fim de semana, né?

 

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31

de
outubro

A teoria do caos

Saindo da casa de um cliente agora a pouco, resolvi que iria escrever antes de viajar. Resolvi que ia escrever sobre viagem, mas entendi que seria melhor pensar sobre o que escrever durante a viagem, e escrever quando voltar de viagem. Então fiquei pensando sobre o que escrever, e me peguei cantando Tu és soberano, música de uns 300 anos que mexe muito comigo.

 

Durante a canção, fiquei pensando em como Deus é Senhor até no caos. Me veio à mente Isaías, indo pro templo angustiado. Estava sendo um ano difícil, o ano em que morreu o Rei Uzias. Um período de incertezas, pois o povo perdeu a principal sua referência, seu sacerdote, seu ungido.

 

As pessoas gostam de ver Deus como Criador. Tudo bem, ele é o Criador, mas eu prefiro ver como o Criativo. Sim, por que para ser especialista em caos, precisa ser criativo. E Deus parece preferir trabalhar no caos. Ele cria o mundo, e o mundo se torna o caos. E então, ele começa a criar as coisas, colocando-as em seu lugar próprio e dando ao mundo uma ordem natural. Céu para cima, terra para baixo, mar para um lado, estrelas pro céu, boizinhos para a terra, homem, mulher… E apesar de toda a sua glória, Deus mostra se importar com o homem. E Isaías percebeu isso, quando viu que não era digno nem de estar no templo, e tem sua vida transformada, e consegue transformar a vida do povo. Tudo isso por que para Deus, a teoria do caos não é nada mais que um pretexto pra fazer o homem sentir-se mais amado e querido.

 

*****

 

Outubro vai terminando e o cheirinho de fim de ano já tomou conta daquela curva do calçadão que vai desembocar no Placar e na rua ao lado do Banco do Brasil. O cheiro de fim de ano e a musiquinha de natal da Leader vem ao mundo lembrar que o fim de ano está chegando e devemos ser pessoas melhores. Ou só lembrar que é o fim. Ou pra nada, só para cumprir protocolo.

 

*****

 

Então, estou indo nessa. Vou viajar daqui a pouco e nem tenho nada arrumado. A dica pro fim de semana seria a estréia de Jogos Mortais V nos cinemas, mas como não está em cartaz em Itaperuna, sugiro uma visita ao Richard em seu novo endereço na blogosfera, agora no blogspot: http://vista-do-ponto.blogspot.com. Isso quer dizer o seguinte: virei o último dos moicanos no terra…

 

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29

de
outubro

Quem ama, morre

Não acompanhei a morte da Eloá. Não sinto nada por ela ter morrido. Talvez eu sinta pelo Arthur Sendas. Pra mim, Eloá era só mais um profile no orkut, e o Lindemberg, mais um assassino. Muita gente no mundo morre. Muita gente no mundo mata. E isso não me afeta muito. Na verdade, acho que isso não me afeta em nada.

 

Por alguma razão, peguei o boletim de domingo pra ler o que tinha. Era um texto do Pr. Veloso sobre a Eloá, o Lindemberg e o amor. A imprensa e as pessoas dizem que o Lindemberg matou a Eloá por amá-la demais. Ele sentia ciúmes porque ela era tudo para ele, e se ela não fosse dela, não seria de ninguém. Era amor demais para uma pessoa. E o Pr. Veloso escreve que isso é conversa, que quem ama não mata. Quem ama quer que seu amado seja feliz.

 

Viajei com o texto. Entendam: o ser humano não ter estrutura para amar. O homem acha que mata seu amado por amor. O homem não sabe amar. O Paulo, escrevendo sobre o amor, sintetiza tudo o que ele é em 1 Coríntios 13. Deus é amor. O ser humano não. Temos a capacidade de amar pela imagem e semelhança que temos de Deus, mas amar é muito complicado pra gente. Quem ama não expõe o amado ao ridículo. Quem ama vai pro matadouro para seu amado não ter que ir. Quem ama quer que seu amado seja mais feliz que ele, mesmo que isso signifique ter que se separar dele. Quem ama não abre mão do outro, mas de si. O amor não é cego; não se engana, nunca perde. Quem ama não é egoísta, querendo o amado para si; mas a felicidade do outro é mais importante até que sua felicidade.

 

Comentando essas minhas percepções hoje com o Pércio, não chegamos a nenhum parâmetro sobre o amor. Talvez exista um. Vide Jesus.

 

*****

 

A maratona de viagens continua: sexta estou indo pra Rio Bonito, pela Jubaenf, com o Serginho e o Gu.

 

*****

 

Eu não acredito que escrevi que esperava que o Vasco caísse em último, muito menos que o Pércio escreveu que preferia o Vasco caindo em décimo sexto. Senhores, não iremos cair.

 

*****

 

Luto. É como eu me encontro. A Chuta, minha maritaca de 12 anos, faleceu ontem. Estou muito triste. A semana está meio complicada.

 

Fins de semana em Arraial não deveriam acabar.

 

Nunca.

 

*****

Saber lutar é entender que pra ganhar tem que perder
Saber amar é esse entregar mesmo que seja sem querer
Quando o sol se for então você vai se lembrar
que o amor não morre quando a gente sabe amar

 

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22

de
outubro

Em Amnésia

Existem a Polinésia, a Indonésia e, pouca gente sabe, a Amnésia, um pequeno arquipélago no Pacífico cuja principal indústria é a fitinha para amarrar no dedo e lembrar o que não se quer esquecer, que os amnesianos costumam usar nos dez dedos da mão, inutilmente, pois nunca se lembram por que estão usando. Quem acha que o Brasil é o país mais sem memória do mundo não conhece a Amnésia, que inclusive se classificou para as finais da última Copa do Mundo mas esqueceu de ir, ao contrário do Brasil que foi mas esqueceu o futebol.

 

A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. A capital de Amnésia, cujo nome ninguém se lembra, tem dezenas de estátuas e monumentos homenageando atletas, generais, cientistas e filósofos que nunca existiram mas estão nos livros de história. Segundo os historiadores, Amnésia já construiu sua bomba atômica, só esqueceu onde a botou.

 

Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem.

 

Em Amnésia não há adultério. Ou há, mas os traídos esquecem a traição com a mesma rapidez com que os adúlteros esquecem seu juramento de jamais repeti-la, e volta a paz. Uma velha tradição do país - segundo os historiadores - é o duelo pela honra. Quando os desafetos se encontram para resolver tudo com espada ou pistola ninguém se lembra mais da causa do duelo, e apesar da tradição nenhum duelo jamais foi realizado em Amnésia. Pelo menos que alguém se lembre.

 

Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?” Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelegem. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova”, em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo - e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve.

 

É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores-romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa - pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo - e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi, e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz-de-conta, o passado pode ser o que a gente escolher.

 

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Hoje meio que encerro as postagens pela semana. Como havia falado outro dia, vou pra São Paulo logo mais, e no fim de semana, pra Arraial. Aproveitem, pois três textos novos, em três dias seguidos, virou raridade neste blog. Ah, falando em blog, a explosão de novos blogs não param. O Lindão também criou um, um tanto quanto estiloso. Já que você perdeu tempo aqui, pode tentar achá-lo no sEm pErder O estiLo.

*****

Não, não fui eu quem escreveu ‘Em Amnésia’. Obrigado por pensar que eu tenho essa capacidade, mas não tenho. O texto é do Verissimo, que é o meu cronista predileto. Postei o texto porque ele é a conclusão dele é algo que há algum tempo está na minha cabeça (lógico que sem aquele lance viagem do ‘Efeito Borboleta’). Ter o passado que a gente queira talvez seja a melhor opção…

 

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Bjomeliga!

 

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