SE eu TIVESSE ASAS

Estou certo de que estou errado sobre muitas coisas, embora não esteja certo exatamente sobre quais coisas estou errado.

29

de
novembro

Ensaio sobre a visão

Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego. Esta expressão costura o enredo de Ensaio sobre a cegueira, a obra onde José Saramago sugere que num mundo onde todos estão cegos, a visão passa perto de ser uma maldição. Quem enxerga se torna responsável. E o peso da responsabilidade aos poucos vai se tornando insuportável. Só não é mais insuportável que o peso da própria cegueira.

 

A Bíblia Sagrada fala da experiência espiritual cristã como “passagem das trevas para a luz” e anuncia a irrupção do reino de Deus na pessoa de Jesus dizendo que “o povo que estava em trevas viu uma grande luz”, e por esta razão aqueles que seguem a Jesus “não andam em trevas”. Quem nasceu de novo, isto é, recebeu o toque do Espírito Santo e acolheu o reino/reinado de Deus em sua vida foi iluminado e passou a ver: “eu era cego, agora vejo”.

 

Jesus diz que seus discípulos também são a luz do mundo, mas os adverte dizendo que “o olho é a lâmpada do corpo. Portanto, se você tiver um olho bom, todo o seu corpo será repleto de luz; mas se tiver um olho mau, todo o seu corpo estará repleto de escuridão. Caso a luz que está em você seja escuridão, quão terrível será essa escuridão”.

 

No judaísmo, “ter um olho bom”, um “ayin tovah”, significa “ser generoso”, e ter “um olho mau”, um “ayin ra’ah”, significa “ser mesquinho”. A cegueira é comparada ao egoísmo; a visão, à solidariedade, à compaixão e também à auto-doação voluntária e ao serviço abnegado. Ser cego é ser auto-centrado e indiferente. Enxergar é morrer para si mesmo e assumir com Cristo o peso da cruz, sofrendo com Ele as dores do mundo, o que necessariamente implica e resulta viver para Ele e para os que são dEle. Enxergar é servir. Andar na luz é praticar as boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas e sem as quais a fé é morta.

 

Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente, é cego que pensa que vê, é cego de sua própria cegueira, é o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver, recebe a missão de servir.

 

 

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© 2008 Ed René Kivitz, via Ibab.

 

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Se eu disser que ainda acredito que o Vasco não será rebaixado, vocês acreditam?

 

Agora fiquei na dúvida: é pra acreditar em mim ou no Vasco?

 

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Aliás, não aguento (já sem o trema) ficar ouvindo esses comentaristas esportivos falando que o Vasco está colhendo o que plantou e que deveríamos copiar o segredo do São Paulo, que não é tão secreto assim. O segredo do time do São Paulo é que sempre mantém a base. Só troca o esmalte.

 

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Fiquei com preguiça de escrever pra última edição do Design; mesmo assim o Eduardo pediu pra eu escrever pra edição de fim de ano.

 

Isso quer dizer o seguinte: não se assuste se aparecer pra você um texto com um gorro de Papai Noel.

 

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23

de
novembro

Tempo de mudanças

Queria ser capaz de escrever um texto sobre mudanças, onde o autor faz aquelas analogias bacanas sobre o passado, o presente e o futuro, como aquelas que referem a locomotiva de um trem, ou sobre uma fumaça que passa, ou uma chuva que cai, ou algo assim, e associar isso tudo a nossa vida de mudanças. Mas não sou tão bom assim, como o Pércio, ou o autor bíblico, ou o Verissimo. Na verdade eu não sou nada bom. Mas vou continuar.

 

Eu já escrevi umas duzentas vezes sobre as pessoas serem aquilo que são, mas aquilo que os outros querem que elas sejam. Ou ser alguém que ela não é só pra ser aceito por um determinado grupo. Queria muito não ter escrito isso de novo, me perdoem.

 

Isso deveria ser natural. Acontece com tudo mundo. Mas pra mim não é. Todo mundo está mudando, ou quer mudar, ou pensa em mudar. A verdade é que ninguém sabe o quer ser, apenas quer ser aprovado por alguém. Curiosamente, existe uma grande loucura aqui, pois ao mesmo tempo em que as pessoas querem mudar para serem aceitas, elas querem que as outras também mudem. E aí vira uma grande palhaçada onde todos fingem ser o que não são, invocam um ser místico que conhecem de nome, inventam um nome legal pra se identificar e arrumam um jeito de burlar aquilo que elas acreditam.

 

A tônica do cristianismo é a mudança, e a humanidade inconscientemente deposita sua esperança nos cristãos e/ou no cristianismo. A tônica da campanha e da plataforma de Barack Obama foi a mudança, e a humanidade está depositando sua confiança toda nele. Todos corremos um grande risco de nos decepcionar com o cristianismo, ou com os cristãos, ou com Cristo, ou com o Barack Obama. Talvez a solução para isso fosse se mudarmos: sermos as pessoas que somos e a aceitar o outros como eles são.

 

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São 4h03min de domingo, e eu estou na casa do Henrique. Queria agradecer a ele por estar acordado comigo, apesar dele estar assistindo um programa sobre óvnis no History Channel com o pijaminha verde-água ridículo dele. Quero agradecer a Faby por ter gerido o embrião do texto e a Débora rabugenta por ter me animado a escrever na madruga.

 

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Não era o que eu esperava postar sobre o Barack Obama, mas está valendo. Ele não é o messias e não vai mudar o mundo. Foi bom também porque eu aproveitei para aglutinar alguns assuntos que estavam no fundo de algum lugar dentro de mim.

 

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Eu poderia ter trabalhado melhor a idéia do texto. Mas estou com preguiça, um pouco de sono e também um pouco enjoado por estar de frente pro Henrique com o pijaminha verde-água dele. E também, pela minha falta de capacidade para escrever. Eu queria mudar isso em mim…

 

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So little time
Try to understand that I’m
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody’s changing and I don’t feel the same

 

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12

de
novembro

Quem se importa?

O Eduardo me pediu um texto sobre o Jovem PiBi pro Design. Por uma questão de ordem, vou escrever aqui a minha real percepção sobre o congresso. Pro Design, vai um texto bonitinho e bem comportado. Um final de semana em algumas linhas. Acho que sou capaz disso.

 

Quando pensei em Cidadãos do Reino para ser o tema do congresso, a primeira coisa que tive em mente foi o fator identidade. Tipo, a gente vive nesse mundo, e tudo, e tal, mas não somos daqui. Estamos numa viagem de volta ao nosso lar. O nosso padrão de comportamento é dado e avaliado pelo Rei. Jesus, orando pela gente, pediu para que Deus não nos tirasse daqui, mas que nos livrasse do mal, pois do mesmo jeito que ele não era do mundo, não somos. Um matemático/teólogo francês disse que não somos seres humanos tendo experiências espirituais, mas seres espirituais tendo experiências humanas. Não quero entrar no mérito da frase, até porque não concordo muito com ela. O que eu to querendo dizer aqui é que a parada é mais complexa do que as pessoas dizem. Um cidadão do reino serve aos propósitos de Deus em sua geração. Não busca servir a interesses pessoais, pois seus interesses são os interesses do reino. Um cidadão do reino busca a expansão do reino. Um cidadão do reino é caracterizado por sua santidade. Ele é ‘amigo de raiz’ do Rei; sabe que a tendência das coisas é piorar. Mas tudo bem, elas vão passar.

 

O Reino de Deus é um reino de amigos. Amigos que tem uma característica comum: se importar antes de tudo com o Reino.

 

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Acho que vai esse mesmo pro Design. Talvez. Falta de inspiração é dose. Queria mesmo era falar sobre Barack Obama.

 

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Aí eu fico me perguntando a razão de eu querer escrever sobre o Barack Obama. Sei lá. A obamamania que ataca o planeta não poupa ninguém. O próprio Michael Jackson está com vontade de ser negro de novo!

 

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4

de
novembro

Vôo Livre

A gente tem uma mania boba de associar coisas que não tem relação entre si. Falar que o Brasil é um celeiro de craques do futebol é uma delas. Levando em consideração que celeiro é um lugar onde se guarda coisas, é que não há muitos craques no Campeonato Brasileiro, acho que você entendeu o que eu estou querendo dizer. O Brasil é um grande exportador de craques, não um celeiro. Os EUA têm o maior número de praticantes de futebol (ou de soccer, como eles gostam de chamar) do planeta, mas o Brasil continua sendo o país do futebol. Todo mundo me chama de pastor, mas convivendo com o Rick, verão que estou completamente longe disso. E por aí vai.

 

Não deve ter relação nenhuma, mas para todos que me perguntam a razão de minha ausência nos últimos fim de semana, eu ponho a culpa em outubro. Não que outubro tenha alguma culpa, mas eu gosto de pensar assim. Foi depois que outubro chegou que eu tenho pegado estrada e passado os fins de semana longe dos meus amigos e colegas. Pra falar a verdade, nem me lembro de como é um fim de semana aqui. Em menos de um mês, visitei alguns lugares lindos, outros toscos. Laje do Muriaé, Cruzeiro, São José de Ubá, São João do Manhuaçu, Realeza, Caratinga, São Paulo, Cabo Frio, Arraial, Rio Bonito; isso sem contar as paradas em Rosal, Itatiaia, Campos, Italva… Vários quilômetros percorridos, vários rostos desconhecidos, várias situações. E pra melhorar (ou piorar, depende da vista do ponto), novembro chegou, e além do cheiro de fim de ano e dos Papai Noéis, trouxe junto viagens e viagens, que se alastrarão até o dia 7 de dezembro.

 

Há quem diga que o grande problema de se entrar no mundo das drogas é que é uma viagem sem volta. Talvez o grande problema das drogas e das viagens seja o mesmo: não é exatamente a ida, mas justamente quando se volta à rotina.

 

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E o Vascão, calando a boca dos críticos? Vamos silenciar esse pessoal conquistando a vaga pra Sulamericana.

 

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Eu falei, eu falei; depois não adianta ficar me chamando de falso nem de chato: Obama neles! http://paradigma.blog.terra.com.br/2008/02/15

 

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Nesse fim de semana tem Jovem Pibi sexta edição. Já sabem a razão por eu não viajar nesse fim de semana, né?

 

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