SE eu TIVESSE ASAS

Estou certo de que estou errado sobre muitas coisas, embora não esteja certo exatamente sobre quais coisas estou errado.

31

de
outubro

A teoria do caos

Saindo da casa de um cliente agora a pouco, resolvi que iria escrever antes de viajar. Resolvi que ia escrever sobre viagem, mas entendi que seria melhor pensar sobre o que escrever durante a viagem, e escrever quando voltar de viagem. Então fiquei pensando sobre o que escrever, e me peguei cantando Tu és soberano, música de uns 300 anos que mexe muito comigo.

 

Durante a canção, fiquei pensando em como Deus é Senhor até no caos. Me veio à mente Isaías, indo pro templo angustiado. Estava sendo um ano difícil, o ano em que morreu o Rei Uzias. Um período de incertezas, pois o povo perdeu a principal sua referência, seu sacerdote, seu ungido.

 

As pessoas gostam de ver Deus como Criador. Tudo bem, ele é o Criador, mas eu prefiro ver como o Criativo. Sim, por que para ser especialista em caos, precisa ser criativo. E Deus parece preferir trabalhar no caos. Ele cria o mundo, e o mundo se torna o caos. E então, ele começa a criar as coisas, colocando-as em seu lugar próprio e dando ao mundo uma ordem natural. Céu para cima, terra para baixo, mar para um lado, estrelas pro céu, boizinhos para a terra, homem, mulher… E apesar de toda a sua glória, Deus mostra se importar com o homem. E Isaías percebeu isso, quando viu que não era digno nem de estar no templo, e tem sua vida transformada, e consegue transformar a vida do povo. Tudo isso por que para Deus, a teoria do caos não é nada mais que um pretexto pra fazer o homem sentir-se mais amado e querido.

 

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Outubro vai terminando e o cheirinho de fim de ano já tomou conta daquela curva do calçadão que vai desembocar no Placar e na rua ao lado do Banco do Brasil. O cheiro de fim de ano e a musiquinha de natal da Leader vem ao mundo lembrar que o fim de ano está chegando e devemos ser pessoas melhores. Ou só lembrar que é o fim. Ou pra nada, só para cumprir protocolo.

 

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Então, estou indo nessa. Vou viajar daqui a pouco e nem tenho nada arrumado. A dica pro fim de semana seria a estréia de Jogos Mortais V nos cinemas, mas como não está em cartaz em Itaperuna, sugiro uma visita ao Richard em seu novo endereço na blogosfera, agora no blogspot: http://vista-do-ponto.blogspot.com. Isso quer dizer o seguinte: virei o último dos moicanos no terra…

 

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29

de
outubro

Quem ama, morre

Não acompanhei a morte da Eloá. Não sinto nada por ela ter morrido. Talvez eu sinta pelo Arthur Sendas. Pra mim, Eloá era só mais um profile no orkut, e o Lindemberg, mais um assassino. Muita gente no mundo morre. Muita gente no mundo mata. E isso não me afeta muito. Na verdade, acho que isso não me afeta em nada.

 

Por alguma razão, peguei o boletim de domingo pra ler o que tinha. Era um texto do Pr. Veloso sobre a Eloá, o Lindemberg e o amor. A imprensa e as pessoas dizem que o Lindemberg matou a Eloá por amá-la demais. Ele sentia ciúmes porque ela era tudo para ele, e se ela não fosse dela, não seria de ninguém. Era amor demais para uma pessoa. E o Pr. Veloso escreve que isso é conversa, que quem ama não mata. Quem ama quer que seu amado seja feliz.

 

Viajei com o texto. Entendam: o ser humano não ter estrutura para amar. O homem acha que mata seu amado por amor. O homem não sabe amar. O Paulo, escrevendo sobre o amor, sintetiza tudo o que ele é em 1 Coríntios 13. Deus é amor. O ser humano não. Temos a capacidade de amar pela imagem e semelhança que temos de Deus, mas amar é muito complicado pra gente. Quem ama não expõe o amado ao ridículo. Quem ama vai pro matadouro para seu amado não ter que ir. Quem ama quer que seu amado seja mais feliz que ele, mesmo que isso signifique ter que se separar dele. Quem ama não abre mão do outro, mas de si. O amor não é cego; não se engana, nunca perde. Quem ama não é egoísta, querendo o amado para si; mas a felicidade do outro é mais importante até que sua felicidade.

 

Comentando essas minhas percepções hoje com o Pércio, não chegamos a nenhum parâmetro sobre o amor. Talvez exista um. Vide Jesus.

 

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A maratona de viagens continua: sexta estou indo pra Rio Bonito, pela Jubaenf, com o Serginho e o Gu.

 

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Eu não acredito que escrevi que esperava que o Vasco caísse em último, muito menos que o Pércio escreveu que preferia o Vasco caindo em décimo sexto. Senhores, não iremos cair.

 

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Luto. É como eu me encontro. A Chuta, minha maritaca de 12 anos, faleceu ontem. Estou muito triste. A semana está meio complicada.

 

Fins de semana em Arraial não deveriam acabar.

 

Nunca.

 

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Saber lutar é entender que pra ganhar tem que perder
Saber amar é esse entregar mesmo que seja sem querer
Quando o sol se for então você vai se lembrar
que o amor não morre quando a gente sabe amar

 

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22

de
outubro

Em Amnésia

Existem a Polinésia, a Indonésia e, pouca gente sabe, a Amnésia, um pequeno arquipélago no Pacífico cuja principal indústria é a fitinha para amarrar no dedo e lembrar o que não se quer esquecer, que os amnesianos costumam usar nos dez dedos da mão, inutilmente, pois nunca se lembram por que estão usando. Quem acha que o Brasil é o país mais sem memória do mundo não conhece a Amnésia, que inclusive se classificou para as finais da última Copa do Mundo mas esqueceu de ir, ao contrário do Brasil que foi mas esqueceu o futebol.

 

A profissão mais valorizada na Amnésia é a de historiador-romancista. Como ninguém se lembra de nada por mais de 15 minutos os historiadores inventaram uma história grandiosa para o país que inclui até uma guerra contra os Estados Unidos, que ganharam, vários reis malucos e ditadores divertidos e heróis nacionais como o inventor do spray nasal e um amante da Rita Hayworth, além de muitos recordistas olímpicos e cinco vitórias na Copa do Mundo. A capital de Amnésia, cujo nome ninguém se lembra, tem dezenas de estátuas e monumentos homenageando atletas, generais, cientistas e filósofos que nunca existiram mas estão nos livros de história. Segundo os historiadores, Amnésia já construiu sua bomba atômica, só esqueceu onde a botou.

 

Amnésia também é conhecida como exportadora de garçons. Quase todos os imigrantes de Amnésia que você encontra no mundo são garçons. É fácil reconhecê-los porque são os que esquecem o seu pedido. Em Amnésia isto não era um problema porque quem pedia sempre esquecia o que tinha pedido e aceitava o que o garçom trouxesse, mas em outros países garçons amnesianos têm ouvido alguns desaforos. Que logo esquecem.

 

Em Amnésia não há adultério. Ou há, mas os traídos esquecem a traição com a mesma rapidez com que os adúlteros esquecem seu juramento de jamais repeti-la, e volta a paz. Uma velha tradição do país - segundo os historiadores - é o duelo pela honra. Quando os desafetos se encontram para resolver tudo com espada ou pistola ninguém se lembra mais da causa do duelo, e apesar da tradição nenhum duelo jamais foi realizado em Amnésia. Pelo menos que alguém se lembre.

 

Os políticos em Amnésia são todos corruptos. Os escândalos se repetem mas as comissões parlamentares reunidas para investigá-los começam, invariavelmente, com seu presidente perguntando “Alguém se lembra por que estamos reunidos aqui?” Como ninguém se lembra as comissões são desfeitas, até o escândalo seguinte, quando ocorre a mesma coisa. Já houve a sugestão de se formar as comissões antes dos escândalos, que são previsíveis, pois acontecem com a mesma regularidade com que são esquecidos. A sugestão foi aceita e logo esquecida. Há pouca renovação entre dirigentes e parlamentares amnesianos porque o público esquece o que eles fizeram e os reelegem. Políticos que estão no poder há anos fazem campanha com o slogan “Finalmente uma cara nova”, em todas as eleições e levam o voto do eleitor insatisfeito mesmo que não lembre bem com o quê. Leis são promulgadas, esquecidas, nunca exercidas e muitas vezes promulgadas de novo - e esquecidas de novo. Em Amnésia os computadores têm memória, mas ninguém se lembra pra que serve.

 

É bom viver no pequeno arquipélago de Amnésia, onde ninguém cobra dívidas, guarda rancor ou tem o que contar ao psicanalista, a não ser que invente. Os historiadores-romancistas providenciam as lembranças que ninguém tem. Se Amnésia se classificou para as finais da Copa - pelo menos tem quase certeza que se classificou, faz tanto tempo - e esqueceu de ir, por que não botar na história que foi, e ganhou? Num país sem memória onde tudo é faz-de-conta, o passado pode ser o que a gente escolher.

 

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Hoje meio que encerro as postagens pela semana. Como havia falado outro dia, vou pra São Paulo logo mais, e no fim de semana, pra Arraial. Aproveitem, pois três textos novos, em três dias seguidos, virou raridade neste blog. Ah, falando em blog, a explosão de novos blogs não param. O Lindão também criou um, um tanto quanto estiloso. Já que você perdeu tempo aqui, pode tentar achá-lo no sEm pErder O estiLo.

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Não, não fui eu quem escreveu ‘Em Amnésia’. Obrigado por pensar que eu tenho essa capacidade, mas não tenho. O texto é do Verissimo, que é o meu cronista predileto. Postei o texto porque ele é a conclusão dele é algo que há algum tempo está na minha cabeça (lógico que sem aquele lance viagem do ‘Efeito Borboleta’). Ter o passado que a gente queira talvez seja a melhor opção…

 

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Bjomeliga!

 

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21

de
outubro

O inferno são os outros…

É difícil acreditar que a maioria das pessoas acha que ser cristão é frequentar igrejas evangélicas. É se embrenhar pelo movimento pentecostal ou aceitar o “derramamento do espiríto”.

 

Os amigos neo-pentecostais se deixam levar pelos pronunciamentos de pastores e buscam unicamente conforto e prosperidade financeira.

 

Outros tipos estão a mercê de um deus distante e vingativo. Que julgará com mão de ferro todos aqueles que não viraram crentes.

 

Existe as facções dentro das pentecostais. Os irmãos que condenam a tia cidinha porque ela não fala em línguas estranhas, então ainda não é salva.

 

Há os amigos que se acham cult. Acham que ser cristão é ouvir boa música, tomar um bom vinho e criticar o movimento neo-pentecostal.

 

Há os cristãos universitários. Discutem tudo. Amor, tempo, graça, mordomia, fazem alguns debates, viajam bastante e não praticam nada. Afinal. Também são cults.

 

Há os que se preocupam muito em amar o próximo. Embora não saiba o nome da vizinha.

 

Há crentes missionários, oram muito pra missões, para os irmão que passam fome na África, para o mendigo na rua e para que a Flora se de mal na novela das oito.

 

Há crentes que amam falar de Jesus… Quando estão na igreja.

 

Há crentes que amam falar de Jesus aos de fora… Por isso ninguém os aguenta.

 

Tem crente que adora falar… mal de Jesus. Há crentes que adoram falar. A maioria de fato se importa com a anunciação do evangelho. Só se preocupa.

 

Há também aqueles crentes blogueiros. Falam mal de todos aqueles outros tipos de crentes, (cristãos ou como quiserem chamar), ficam rindo em frente ao computador das esquisitisses alheias e não fazem nada pra mudar a situação.

 

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Pedro Morelli, no blog O Sátiro e o Leão, tirado do PavaBlog.

 

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Ah, é verdade: maratona de viagens, e também maratona de textos. Não sei há quanto tempo eu não postava 2 dias seguidos… E amanhã tem um novo!

 

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Há quem diga que os dois melhores lugares de uma casa são o banheiro e a cozinha. Como a gente fica meio constrangido em ter que dividir o banheiro da gente ao mesmo tempo com uma pessoa, o Pércio está nos chamando pra saírmos do porão e entrarmos na cozinha. Viva o Pércio, de blog novo. Aprecie então as maravilhas culinárias do Molho Shoyu: www.molho-shoyu.blogspot.com.

 

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20

de
outubro

A liberdade de ver os outros

“Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

 

‘– Bom dia, meninos. Como está a água?’

 

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

 

‘– Água? Que diabo é isso?’

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Um dos escritores mais admirados de sua geração, o americano David Foster Wallace se suicidou no mês passado, aos 46 anos, enforcando-se. Este texto foi tirado de seu discurso de paraninfo para formandos do Kenyon College, há três anos; mais especificadamente daqui.

 

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Sábado estive num casamento em São João do Manhuaçu-MG, dormi em Realeza-MG e fui pra Caratinga-MG, no domingo. Quinta, na madruga vou pra São Paulo, sexta de manhã para Jundiaí e Vinhedo, chegando em Itaperuna no sábado de manhã, quando vou pra Arraial, voltando pra casa no domingo. Dia 01 viajo sem destino, e volto no dia 02. É por essas que me lamento de não ter um cartão de crédito com plano de milhagem…

 

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Se for para cair, espero que o Vasco caia como lanterna. Do que adianta terminar em 16º e cair do mesmo jeito?

 

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Tá, não sou o peixe mais velho e sábio. Estou apenas brigando comigo mesmo, para mudar esse conceito estúpido de que "o mundo é uma história sobre mim…’

 

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8

de
outubro

A Vida, o Universo e tudo mais

– Veja todas estas estrelas. Sem dúvida, uma das grandes criações de Deus.
– Então você acha que um ser de algum tipo fez tudo isso?
– Você não?
– Você está me perguntando se eu acredito que se olhar para o céu e prometer alguma coisa, o figurão fará tudo isso desaparecer? Não.
– Então 95% das pessoas na Terra estão enganadas?
– Se a vida me ensinou algo é que 95% das pessoas estão sempre erradas.
– Isto é o que chamamos de fé.
– Tenho inveja das pessoas que têm fé. Eu apenas não consigo que minha cabeça aceite isso.
– Talvez sua cabeça seja o empecilho, Edward.
– Carter, nós tivemos centenas destas discussões. E elas sempre acabam no mesmo beco sem saída. Existe uma dimensão ‘contos de fada’ ou não?
– Então, no que você acredita?
– Eu evito todas as crenças.
– Não houve Big Bang? O surgimento do Universo por acaso?
– Nós vivemos, morremos e a estrada continua.
– E se você estiver errado, Edward?
– Eu adoraria estar errado. Se eu estiver errado, eu saio ganhando.

 

 

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Trecho do filme The Bucket, que aqui no Brasil virou "Antes de Partir", de Rob Reiner, com Morgan Freeman e Jack Nicholson.

 

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O Vasco está enfrentando o Sport em Recife neste exato momento. Vocês não sabem o quanto ultimamente, jogos do Vasco e eleições municipais me deixam com medo…

 

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Hoje, se referindo a mim, a Dilza disse: ‘Eu sei que o Elvino é super crente…’ Êita, se ela me conhecesse…

 

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