SE eu TIVESSE ASAS

Estou certo de que estou errado sobre muitas coisas, embora não esteja certo exatamente sobre quais coisas estou errado.

28

de
julho

Pituxa e Eu

No fim do ano passado, numa segunda-feira (ou teria sido numa quarta?), a gente discutiu um assunto estúpido, como todos os dias a gente faz lá na faculdade. O Alan estava dizendo o quanto é absurdo a idéia de que tem animais no céu. Para contrariá-lo, perguntei qual problema de Deus ter animais de estimação. Disse até que Deus me faria feliz se a Pituxa, minha cachorrinha, fosse para o céu comigo. O Alan ficou vermelho de raiva, argumentando que cães, gatos, passarinhos e trágulos malaios não têm almas. Eu disse que essa não era a questão: não era uma discussão sobre animais e suas almas, e sim sobre a idéia que têm animais no céu, ou se animais povoam o Paraíso.

 

 

Onde está escrito que apenas seres com almas vão para o céu?

 

 

Eu me lembro quando a Pituxa foi lá pra casa. Janeiro de 99 foi um mês legal, porque apesar de ser o mês do meu aniversário, foi um mês de conquistas. Ganhamos nosso primeiro computador e a Pituxa. Era pra ela ser só minha, mas naquela época eu era muito altruísta. E como só podíamos ligar o computador nos fins de semana, ver a Pituxa descobrir o mundo foi nossa diversão de férias.

 

 

Teve um pessoal que viu um vídeo do Conabenf de 2004 e ficou bem surpresa, dizendo que estamos diferentes. Se em quatro anos as pessoas mudam, imagina os cachorros em nove. Pituxa foi lá pra casa com duas semanas. Era do tamanho da palma da minha mão, um menino de 12. De início, gostava de brincar de morder, e dormir em cima de mim. Aprendeu a fazer xixi e cocô num lugar só. Aprendeu a vigiar a casa, latindo sempre que alguém aparecia, mesmo quando estava dormindo, embaixo dos panos. Ela não dormia enquanto eu ou minha mãe chegasse lá e a cobrisse toda. Era engraçado ser o último a chegar em casa e cobrir a Pituxa.

 

 

Mas sexta eu cheguei de Araruama e a Pituxa não estava me esperando. A Pituxa estava doente há algum tempo, e de duas semanas pra cá, seu estado de saúde piorou muito. Toda vez que eu chegava perto dela, ela me olhava constrangida. Na terça, eu fui pra Araruama. Como eu sempre levo pro lado pessoal, parece que ela estava esperando eu sair de casa para morrer. E ela nem perdeu tempo: na terça à noite ela resolveu partir, sem se despedir de mim.

 

 

Só me resta lembrar a Deus de cobri-la todas as noites, para ela dormir.

 

 

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Puxa, foi só o Roberto Dinamite assumir o Vasco pro time despencar a ladeira. Será que ele é tão pé-frio como o Zico, ou a gente vai ficar com o vice nisso também?

 

 

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O Brasil venceu com facilidade Cingapura hoje de manhã. É cedo ainda para comemorar a vitória do time de Dunga: a seleção olímpica enfrenta o Vietnã na sexta-feira.

 

 

O técnico espera uma guerra!

 

 

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Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

 

http://br.youtube.com/watch?v=-NvdsqeaAp8

 

 

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18

de
julho

Até o Fim

Todo ano era a mesma coisa, ele colocava seu melhor terno só para vê-la maquiada. Buscavam aquela felicidade em plena segunda-feira. Pensavam que aquilo não era anormal, mas simplesmente gostavam de sair para fazer nada juntos.

 

Sentaram num banquinho qualquer para ver os carros passando na rua. Conversaram sobre futebol, política e até Focault.

 

Lembraram das historinhas de criança, das roupas arrumadas pela mãe e do primeiro beijo… Ela de saia e blusinha rendada e ele de bermudão, blusa do flamengo e um all star sujo.

 

Riram da incapacidade dele de não fazer piadinha sobre aquela vez que sua mãe a obrigou a cortar o cabelo com franjinha… Ou do tombo que ele levou da bicicleta por olhar pro lado para dar tchau pra ela. Foi quando ela ficou corada por depois de tanto tempo, eles ainda estivessem ali. E perceber que as pessoas não mudam.

 

É claro que ele ficou barbudo e ela com as pernas torneadas… E ficaram surpresos por ainda recordar de coisas antigas de sua infância.

 

Se existia alguém que conseguia arrancar aquele sorriso dela, com certeza era ele. A capacidade de irritá-la era com a mesma freqüência que conseguia fazê-la rir.

 

Quando então perceberam que já era hora de partir e voltar para suas vidas.

 

Ela foi para o carro com aquele sorriso besta no rosto de quem tinha acabado de ganhar um belo presente.
Ele foi andando para sua casa, tentando lembrar em que momento ele descobriu que a amava.

 

Chegou em casa, deitou na cama e quando ia apagar a luz… Olhou para o lado e lá estava ela, que disse: 
- Feliz 20 anos de casados, meu bem. Obrigada pela surpresa.
- Eu te amo desde aquele dia que eu cai da minha bicicleta.

 

Mais um sorriso. Não acreditava que enfim, o fim chegara. Por mais preparado que estivesse para o momento, não esperava que ele os alcançaria tão depressa.

 

Naquela noite, não dormiu. Num determinado momento, segurou a mão dela forte e desejou que aquele momento nunca acabasse. E pela última vez, ele a fez sorrir.

 

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Há mais de um mês mudei a rotina de meu almoço. Troquei as informações bem-humoradas do Jornal Hoje por Uma Família da Pesada (Family Guy) na FX (a Globo passa às madrugas). Cansei dessa parada de desvio de dinheiro, furacões que devastam cidades, a disputa eleitoral norte-americana, pais jogando filho pela janela. Humor sem responsabilidade é o que há.

 

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Apesar de não postar mais no seu blog, a Paulinha escreve. Este texto dela chegou em minhas mãos através da Ana Clara. A Paula não tinha gostado do final dele, então pediu pra Ana Clara mudar. A Ana Clara não conseguiu pensar em nada, então enviou o texto pra mim. Está aí o resultado. Obrigado por confiarem em mim.

 

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Pingüins têm chegado até a Bahia fugindo do frio da Patagônia. Isso quer dizer o seguinte: Não devemos contar com eles na luta contra o aquecimento global.

 

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Agora eu vejo,
Aquele beijo era mesmo o fim
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim

 

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11

de
julho

Cada um no seu quadrado

Humanos são seres engraçados. Não falo apenas daqueles que são comediantes; estes têm a obrigação de serem hilários. Falo de pessoas comuns, como o Henrique, apesar dele forçar para fazer graça. Como se precisasse.

 

Tipo… Grande parte de minha vida arrumei um jeito de ser aceito. A gente tem essa coisa de querer ser aceito. É igual quando falamos que alguém precisa aceitar a Jesus como Salvador. Ora, se alguém deixar de aceitar a Jesus como Salvador ele deixa de ser Salvador? Ele precisa ser aceito como Salvador para salvar?

 

Mudamos conceitos, mudamos a piada, a gente se transforma. Tudo isso em troca de um determinado reconhecimento e aceitação. Depois, forçamos os outros a serem do jeito que a gente acha que devem ser. Se eles não quiserem mudar, a gente os põe na solitária.

 

O maior medo que tenho é de algum dia ficar sozinho. Sentir sozinho é uma coisa; saber que está sozinho para sempre é outra. Tenho medo da fusão das duas coisas. Para isso, me subjugo a absurdos, do mesmo jeito que alguns se subjugam a alguns absurdos para “serem aceitos por Jesus”. Como se precisasse.

 

Num determinado momento de sua vida, Jesus apareceu com a idéia bacana de que seria legal se todos nós nos amássemos como somos. Apesar de todas as peculiaridades, defeitos, senso de humor, time de coração, esquisitices. Sim, porque todos somos esquisitões, e Deus nos ama mesmo assim. Deveríamos amar as pessoas pelo que elas são, não por aquilo que elas fazem. Deveríamos amar a gente mesmo a ponto de ser verdadeiramente aquilo que somos, e não aquilo que as pessoas acham que devemos ser e/ou fazer. Deveríamos rir de nós mesmos como se fôssemos humoristas, daqueles quem fazem a gente rir só por causa do formato de seus olhos. Igual ao Henrique.

 

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Com tanto travesti em Belo Horizonte, os jogadores do Flamengo foram se meter logo com garotas de programa.

 

Deu no que deu.

 

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E para quem gosta de leituras cristãs não-crentes, vai a indicação do site da revista Cristianismo Hoje, versão brasileira da americana Christianity Today. Matérias e entrevistas que fogem um pouco o senso comum gospel no Brasil. O ponto negativo é a quantidade de anúncios de propaganda.

 

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Desculpem-me a obra. Estou em transtorno.

 

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8

de
julho

Teorias conspiratórias

A sala era muito confortável. Tinha uma cor confortável, um sofá confortável, um tapete confortável, a iluminação era confortável, o oxigênio ali parecia confortável. Era o tipo de lugar que ao entrar você se sente tão confortável que dá vontade de falar da sua vida para quem estiver ali. Mas coisas confortáveis causam reações estranhas e ela percebeu que aquilo era estranho. Por que ela se sentia daquele jeito? Por que aquela mulher sentada na mesa estava com aquele olhar seriamente amigo e confortável?

 

-Pode ficar a vontade… – a mulher feia e “confortável” sorria simpaticamente enquanto pegava um papel na gaveta e mexia em algo no computador. Se ajeitando um pouco mais no sofá, colocou a bolsa em seu colo e sentiu vontade de falar algumas coisas sobre a decoração da sala, sobre a temperatura, mas manteve a boca calada e o olhar observador em todos os cantos, em cada ondulação no tapete, em cada dobra que o sofá fazia com o seu peso e principalmente na mulher que estava em sua companhia.

 

-Qual é o seu nome completo? – quebrando o silêncio de forma que interrompeu toda a sua análise do local, mas mesmo tendo o conhecimento da pergunta feita ela voltou a desviar o olhar daquela mulher desconhecida. Não, ela não precisava dar informações tão pessoais a alguém que nunca tinha visto na vida. Por que ela queria saber do seu nome?

 

-Qual é o seu nome completo? – repetiu agora com o olhar fixo nela.
Quieta, continuou dessa forma. Tinha algo nela que queria abrir a boca e falar, mas não, aquilo era uma sensação estranha que deveria ser controlada. Aquela mulher, aquele ambiente, tudo planejado para que ela falasse o que não devia.

 

-Você está bem? Está me escutando? Eu preciso saber o seu nome… – pacientemente a olhava, esperando uma resposta, um sinal de vida da sua parte, mas o que ela conseguiu foi a penas um olhar fixo que a fez repetir a pergunta quase como uma súplica. – Eu realmente preciso saber do seu nome…

 

-E qual é a importância de saber meu nome? – respondeu gerando um alívio da parta da interrogadora.

 

-Temos uma série de perguntas para serem feitas, a primeira é qual é o seu nome… É a mais simples de todas, então logo após faço perguntas sobre como é a sua vida e vamos progredindo com… – começou a explicar tudo o que seria feito, mas nesse momento a interrogada começou a se sentir desconfortável demais, a luz ficou mais forte, o ambiente mais quente que faziam suas mãos suarem de forma descontrolada, o ar estava pesado e ela queria levantar e correr até a porta para sair dali e se livrar daquela mulher que a voz se transformou em algo insuportável de escutar.

 

-Não estou entendendo o seu interesse na minha vida. Foram eles? Eles que mandaram você me perguntar tudo isso? É, foram eles… Ninguém me perguntaria isso… ninguém mais. Eles sabiam que eu falaria sem desconfiar, mas essa sala e só eu e você nela. Não sou tão burra assim. Não vou falar nada. Não tem como me convencer de te contar nada do que eles querem!!! Não vou!!! – sua boca estava seca e seu corpo balançava para frente e para trás com um ritmo que aumentava a cada sílaba dita. Botou-se de pé como num pulo e correu para a porta deixando a bolsa para trás. Não ficaria ali nem por mais um minuto.

 

-O que aconteceu? – surgiu um homem pela mesma porta logo depois que ela a atravessou.

 

-Sinto em lhe informar que ela não se encontra em estado para conversar com uma psicóloga, mas posso enviá-la para uma psiquiatra muito competente que conheço, trataria bem dela e talvez, se caso for necessário, a internaria em sua clínica com profissionais ótimos… – explicava a situação para aquele homem – A situação está realmente pavorosa, não chegamos a conversar e esse desespero foi por querer saber apenas o seu nome…

 

O homem balançou a cabeça de forma como se tivesse entendido e se conformado com o que deveria ser feito, se retirou da sala logo após pegar a bolsa e agradecendo pela consulta. O telefone do consultório tocou e a mulher simpaticamente confortável diz para a voz rouca do outro lado da linha:

 

-Ela não quis me contar nada, mas com os remédios certos receitados pela “psiquiatra” ela nos conta tudo o que sabe… O marido dela não vai desconfiar de nada, ele nem percebe o que está acontecendo…

 

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Pessoal, não tenho vocação para textos de ficção como a Ana Clara e o Richard. O texto não é meu, é um da Ana Clara, que pediu para que eu o editasse. Resolvi colocar o título e manter o original. Será que ele dá uma saga como o da Mary Jane?

 

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Não imaginava que iria arrumar uma comoção pela manutenção do blog. Mas não se anime: o fim está próximo…

 

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4

de
julho

//Ao fim de Tudo\

Num dado momento de nossas vidas, a gente percebe que as coisas não são basicamente como parecem ser. Não precisamos do 5 para formar o 10; aquele amigo que você ama mais que a você mesmo vai ser esquecer de você; moinhos de vento não são necessariamente dragões; nem sempre o papa é pop; seu pai não é aquele meta-humano que não erra e vai te proteger sempre; as coisas nem sempre vão acabar bem. É bizarra a relação do ser humano com o fim. Ele é tortuoso para nós.

 

O mundo não sabe parar. Eu tenho medo de mim. Gasto tempo imaginando minha morte (não se assuste, não penso em me matar), pensando em como ela será, se vai acontecer num momento legal, em que vai acarretar. A questão é mais se teve alguma utilidade eu ficar vivo por tanto tempo ou não e se minha vida teve algum significado. O pós-morte é simples: vão se esquecer de mim. A morte será o meu fim. Ou o meu início.

 

Esse início “dark” foi só pra arranjar um meio de falar sobre o blog. Já não me sinto tão feliz com ele. Ele tem servido apenas para alimentar um lado ruim meu. Eu me transformei num pseudo-intelectual cristão espiritual, paladino da justiça contra a religiosidade. Já não estou compreendendo a utilidade do blog.

 

Gostaria de dar ao blog e a mim um fim digno, antes que eu confunda travecos de bigode com mulheres ou coloque o país inteiro numa saga estúpida pelo milésimo post.

 

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Piadinha da semana: o que começa com Fla e termina com Flu? Resposta: o Campeonato Brasileiro! Sim, senhores, a decepção veste grená, verde e branco…

 

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Elvino, não tem um texto do blog com esse nome? A resposta é não. O outro texto é “aO fim de tudo.” Não se surpreenda se, de uma hora para outra, eu não postar textos novos. Talvez tenha uma despedida. Talvez não.

 

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Procuramos independência
Acreditamos na distância entre nós

 

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