30
de
abril
Putas e Travecos
O meu maior desafio de espiritualidade é ter um relacionamento menos forçado com Deus. Mesmo sem utilizar palavras; mas uma relação de cumplicidade e amizade extrema. Penso eu que este dia chegará no dia em que eu começar a malhar.
Acho que o que nos atrapalha são algumas atitudes minhas. Sabe, é complicado admitir algumas coisas. Principalmente quando você se prostitui. Principalmente, quando seu principal cliente é o diabo. Ele tem algo que eu gosto. Gosto de pecar. Ele me quer. Alguns podem pensar que é uma troca justa. Mas a oferta é tanta, que o demo nem está pagando tão bem quanto antes. Aliás, quando ele paga, é muito pouco. Quando eu me prostituo, nem penso no que estou fazendo. Eu me entorpeço com o pecado. E quando volto ao normal, sinto nojo de mim. Às vezes gostaria de tornar isso público, mas na maior parte do tempo, quero que isso fique escondido, como a maioria das pessoas.
Bem, esse não é o problema. Jesus ama as prostitutas. Ele até gosta do perfume e do carinho delas. O problema é que eu rasgo o coração de Jesus quando, ao invés de me derramar por completo, de corpo e alma, beijando, lavando e secando os pés dele com os meus cabelos, eu tento trata-lo como um cliente meu. Algumas vezes eu tento me prostituir com Jesus. Tento seduzi-lo das formas mais estúpidas. Através do meu ativismo religioso, das minhas poucas habilidades. Mas ele não se aproveita de mim. Nunca. Ele me ama. E então, quando a ficha cai, na hora errada… Eu fico sem ação. O que falar? Eu não tenho o que falar. Aí entra o Espírito Santo, intercedendo por mim da forma mais própria pra ocasião: gemidos inexprimíveis.
Prostitutas e travestis nos fascinam porque assumem a verdade de sua mentira. Igualzinho a mim. Igualzinho a você.
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Estou me sentindo até importante: a Paulinha, de Porciúncula, está me esperando terminar o post de hoje, igualzinho a Laís, de Bom Jesus. Elas foram pacientes demais comigo. Igualzinho a Natacha, que faz muito bem a mim, e com quem eu almocei no domingo, lá em Leopoldina.
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Ah, achei bem legal o comentário da Pryscila, no post anterior. Vou ter que refazer o censo de leitores do blog…
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Eu discordo de você, meu caro Pércio. Não na parte do mais osso que carne, por razões óbvias. Mas na questão de dizer que me enxergo em você, mesmo que de forma distorcida. Você é melhor. E eu agradeço muito a Deus por isso.
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-Mulher, onde estão eles? Não ficou mais ninguém para condenar você?
-Ninguém, senhor!
-Pois eu também não te condeno. Vá, e não peques mais.
(Jo 8:10-11)
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