Era uma vez um menino. Já tinha seus treze anos. Era noite de Natal, e ele havia passado o dia pensando numa maneira de passar a noite inteira acordado, até que ele, o bom velhinho Noel, chegasse em sua casa. Sua mãe nem acreditou quando ele disse aquilo, afinal, Papai Noel não existe. Mas ele não queria crer naquilo. Ele precisava de uma audiência particular com Papai Noel. Biscoitos, Refrigerante, biscoito e um dvd com os melhores jogos do Flamengo de Zico. Se os jogos não dessem, já estava com o box da 4ª e 5ª temporada de "Os Simpsons". Ele estava obstinado com aquilo.
Meia-Noite. É servida a ceia. Eles resolveram não viajar naquele ano, e o garoto achou aquilo ótimo. Ia ser naquela noite que ele ia interrogar o Papai Noel. Por que ele distribuia presentes. Por que ele nunca dava o que ele realmente queria. Como um trenó com um velho gordo consegue voar sem motor. Por que panetone: ele odiava panetone. E no final, ia mostrar ao velho o quanto ele havia sido bom menino durante o ano todo, só para ter o prazer de conversar durante a noite com ele.
Seus pais vão dormir. Seu irmão também. Ele fica sozinho, na sala. Resolve ver primeiro Os Simpsons. Vê as duas temporadas completas. Olha para o relógio. São três e meia, e nada. Ele começa a ficar preocupado. Será que aconteceu alguma coisa? Põe o dvd do Flamengo. Acaba dormindo no depoimento de Pelé sobre o Zico.
Acorda às nove, com sua mãe perguntando como havia sido a noite com Papai Noel. Ele boceja, olha sério pra sua mãe, e responde: Aquele velho filho da puta não existe. Depois vai para o seu quarto e dorme até meio-dia.
*****
Um natal sem cara de Natal. Geralmente o fim de ano me motiva. Mas é só um ano que está acabando e um outro que está começando. O Pércio escreveu algo sobre isso que eu achei tão válido que vou postar aqui:
"Tipo, são muitas coisas que temos que esperar de muitas outras coisas, sempre tem isso em virada de ano: ano que vem eu faço dieta, ano que vem eu paro de fumar, ano que vem eu faço uma plástica, ano que vem eu como angu… E coisas do tipo. Mas na verdade, nós deveríamos levar a virada de ano como uma simples virada de dia, e colocar tudo num papel; se nós não fizermos nada, nada vai ser feito. [...] É isso aí (ou não)."
*****
E a Ana Clara? Depois do leitor entrar em êxtase, ela vem e corta o barato (ou o tesão, como ela mesma disse). Ana Clara sente prazer nessas coisas. Acho estranho. Um excelente texto de Natal. E prepare-se para perder o tesão: http://meuinteiro.blogspot.com . Realmente existem coisas que ficam pela metade. O prazer em ler o melhor texto de Natal, por exemplo.
*****
E por falar em fim de ano, já defini a trilha sonora de despedida de 2007: será o Live from Hawaii - The Farewell Concert, do Audio Adrenaline. Gosto demais desses caras. Gosto deles como gosto de Resgate. E no caso deles, nem back vocal tem, o que deixa o som mais característico. Foram a banda oficial da cruzada Billy Graham. Esse ano, eles encerraram o tempo de banda com este álbum. Uma pena, pois eles são meu exemplo de pessoas que fazem a coisa certa da maneira certa.
*****
Feliz Natal! (E não se esqueçam de nesta noite, olharem para o céu em busca de uma estrela, no mínimo, diferente…)
*****