27
de
agosto
Ponto de vista
Era sexta à tarde. Ele estava no consultório, esperando os quinze minutos que faltavam para ir para casa. Faltava ainda a paciente das duas, que por um problema que ele não se lembrava pediu para ir às cinco. Faltavam doze para as seis, e ela ainda não havia chegado. Ele se espreguiçou na cadeira, afroxou a gravata, colocou os pés na mesa e começou a ler o jornal. Sua secretária já havia ido embora, ele estava sozinho naquele consultório e nem sabia o porquê de não ter ido também. Dez minutos e a campanhia toca. Era ela. Estava constragida duplamente. Primeiramente, por que era sua primeira consulta com este ginecologista. Estava de mudança para esta cidade (foi até por isso que se atrasou). Segundamente, por que estava atrasada. Enfim, ele iniciou uma conversa sobre coisas triviais. O que ela fazia, por que estava se mudando, o que tinha achado da cidade. Pediu desculpas, por estar com a camisa por fora da calça e com a gravata frouxa. Ambos riram, e ele acabou oferecendo uma taça de vinho, que estava tomando para relaxar, afinal, já era fim do expediente de uma sexta. Ela aceitou, e já até esboçava um olhar de cumplicidade para seu novo ginecologista. De repente, ouve-se um barulho de carro na garagem do consultório. O ginecologista fica pálido. Rapidamente, ele levanta, se ajeita e grita pra a mulher, atônito:
- Tire a roupa, deite na maca e abra as pernas, disse o médico como se fosse a solução para a paz mundial.
- Como assim? O que está acontecendo? A mulher voltou a seu constrangimento misturado com desconfiança.
- É que a minha mulher chegou… Anda logo, pois ela pode pensar em bobagens…
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Eu sei o que você deve estar pensando. Você deve estar procurando pelas previsões. Você não se lembra, né? Eu havia falado no post anterior que escreveria previsões para o próximo ano do blog. É que eu assinei uma determinada folha em branco…
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Hoje, conversando com o Clerinho, tive a oportunidade de como a gente não analisa as circunstâncias a tomar algumas decisões. Não iria errar, mas correria riscos muito grandes. Esqueci uma das maiores lições de minha vida: que todo o ponto de vista depende da vista do ponto.
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Esse texto é para o Caíque. Ele me pediu um texto e eu estou em dívida. Esse daí vai como multa pelo meu atraso.
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